As Essências Perdidas

Tinha guardado consigo uma pequena amostra com a essência dos amores outrora vividos. Todos devidamente identificados. Certo dia a solidão apertou-lhe, e a nostalgia lhe acorreu aos odores e as dores, então ele abriu os frascos, um por um, e cheirou desesperadamente, mas nada sentiu. Um suor pegajoso de poeira lhe bateu no coração. E as cinzas dos amores mortos atingiram-lhe a emoção. Inebriado despencou ao chão. Ele houvera perdido todo seu arrebatamento afetivo. O frio possuiu-se de seus ossos. Imóvel ficou. A espera dos últimos trovões.

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A Valsa que dança a Menina

Vejo a menina varrer a calçada de sua casa. Enquanto tomo meu sorvete sentado no meio-fio da rua. Porque o varrer é dança feita a dois, rebolado. A cena é de uma valsa a voar. Já foi microfone, quando uma bela canção foi cantada. E agora faz às vezes de um amor almejado. Mas é preciso reclinar para o beijo, para que pareçam mais românticos, e os beijos nos quais o outro, tomado nos braços, faça a paixão desabrochar. E o amor reclina-se sem objetar. A magreza dela é como o da vassoura, um par perfeito. Quem dos dois é objeto um do outro? Penso cá comigo enquanto acabo meu sorvete.

A Valsa que dança a Menina

Vejo a menina varrer a calçada de sua casa. Enquanto tomo meu sorvete sentado no meio-fio da rua. Porque o varrer é dança feita a dois, rebolado. A cena é de uma valsa a voar. Já foi microfone, quando uma bela canção foi cantada. E agora faz às vezes de um amor almejado. Mas é preciso reclinar para o beijo, para que pareçam mais românticos, e os beijos nos quais o outro, tomado nos braços, faça a paixão desabrochar. E o amor reclina-se sem objetar. A magreza dela é como o da vassoura, um par perfeito. Quem dos dois é objeto um do outro? Penso cá comigo enquanto acabo meu sorvete.